E assim termina mais um capítulo do enredo em que a situação portuguesa se encontra mergulhada desde as últimas eleições. Eram já conhecidas as dificuldades que se iriam sentir por não haver uma maioria absoluta no governo, o que, desde logo, dificultaria a aprovação de medidas no parlamento e a própria governação.Com a não aprovação do PEC 4, praticamente por unianimidade (à excepção, como é óbvio, dos deputados do partido socialista), o primeiro ministro apresentou a sua demissão alegando que não esta situação não o deixava em condições de continuar a govenar, culpando os partidos da oposição, em especial o PSD, da crise económica e política que o país atravessa neste momento. No seu discurso ao país, na passada quarta feira ao final do dia, não fez mais do que descartar-se das responsabilidades, falando na sua "consciência tranquila", "tudo fiz para tentar resolver a situação", e acusando a oposição de aproveitamento político desta situação. Culpado ou não, e estando José Sócrates no seu pleno direito de abandonar funções, parece-me a mim, e não sejamos ingénuos porque na sua actuação política estamos habituados ao expediente de falar com segundas intenções, esta demissão não passa igualmente de um mero jogo de forças políticas.
Senao vejamos: à partida esta demissão por falta de condições para governar significaria que o primeiro ministro não se achava, daqui por diante, capaz de estar à frente do país; a questão é que o mais provável é que se racandidate já nas próximas eleições. Acreditará ele que, com o nível de descontentamento que se faz sentir, principalmente nas camadas mais jovens, e a cada vez maior adesão a movimentos anti-governo, manifestações e propostas de ruptura do sistema, como ficou provado nas últimas presidencias com a expressão que os resultados do candidato José Manuel Coelho tiveram, conseguirá, desta vez, alcançar a maioria absoluta? Não terá sido esta retirada planeada precisamente para não culpabilizar o governo da actual crise?
Com o chumbo do PEC 4, um plano que, logo à partida, e o primeiro ministro com certeza o sabia, estava condenado a ser chumbado pelas medidas de extrema austeridade propostas, o governo descarta-se de responsabilidades e a oposição, que o chumbou, acarreta com as consequências.
Agora é aguardar para ver, e entretanto, durante estes próximos 4 meses de indecisão, esperar que a instabilidade política não acentua a crise, não tenha repercussões na descida do nosso rating e aumento dos juros da dívida pública. Portugal atravessa neste momento, provavelmente, a maior crise política desde a revolução do 25 de Abril, mas aos olhos de quem fala ao povo, as rivalidades políticas são o assunto de maior importancia a resolver, deixando-nos numa expectativa cada vez mais desvanecida sobre o futuro do nosso país.

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