segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Como a Zona Euro pode solucionar a crise de dívida soberana

   O Financial Times publicou um artigo em que aponta uma possível solução para a crise de dívida soberana da Zona Euro. Esta passa pela adopção de um plano semelhante ao foi utilizado na América Latina na década de 1980.

     No início da década de 1980, os países da América Latina deparavam-se com um grave crise de dívida soberana. O crescimento económico era visto como a solução para esse problema, sendo que os países apenas precisariam de margem de manobra, contraindo-se nesse sentido novos empréstimos. Mas foram necessários vários anos e o surgimento de situações como a que se deu no México em 1982, quando este fez uma declaração de moratória da dívida (suspensão do pagamento da dívida decidida unilateralmente) e vários apelos de ajuda internacional, para se perceber que era preciso encontrar uma nova solução. Em 1985 foi então lançado o Plano Baker, mas em 1988 ficava claro que este havia falhado. Assim, em 1989 um novo plano foi introduzido: o Plano Brady, cujo nome se deveu ao então Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Nicholas F. Brady. Este consistia basicamente no perdão de parte da dívida e na transformação dos vários títulos de obrigação em "Obrigações Brady", que eram apoiadas pelo Tesouro dos Estado Unidos e por isso mais seguras.

     O reconhecido jornal económico, refere que apesar de as crises se passarem em épocas e continentes diferentes, as situações são semelhante: nos dois casos as dívidas foram emitidas em moedas sobre as quais os países não detinham soberania (na América Latina o Dólar dos Estados Unidos e na Zona Euro o Euro); a crise seguiu-se a um período de crédito fácil; ambas as crises de crédito coincidiram com as piores recessões desde a Grande Depressão.

     O Financial Times defende ainda que em complemento do perdão parcial da dívida soberana, deveriam também ser emitidas obrigações europeias ("Euro Bonds"), que corresponderiam às "Obrigações Brady".

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